12 filmes da edição online do ‘Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência’ ainda podem ser vistos

12 filmes da edição online do ‘Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência’ ainda podem ser vistos

O CONTEÚDO GRATUITO ESTÁ DISPONÍVEL NA PÁGINA DO EVENTO POR TEMPO INDETERMINADO

Estão lá. Doze produções participantes da edição online do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, realizado entre 10 e 14 de abril, continuam disponíveis para o público no site do evento. Além das obras, os quatro debates realizados também podem ser assistidos quantas vezes quiser, basta acessar www.assimvivemos.com.br  

Os curtas, médias e longas-metragens são dos seguintes países: Belarus, Brasil, Canadá, Espanha, França, Israel, Mianmar, Rússia e Tailândia. Onze deles foram exibidos em edições passadas e um, o brasileiro Stimados Autistas, apresentado pela primeira vez no festival online. Os filmes têm recursos de acessibilidade como a audiodescrição e as legendas LSE (para surdos e ensurdecidos), além da interpretação em LIBRAS. Já os debates, contam com interpretação em LIBRAS. 

– Estamos muito felizes em, mesmo encerrada a edição online, disponibilizar parte da programação do festival para o público. Era um desejo antigo ampliar o alcance e permitir que pessoas que não moram no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, onde acontece o festival presencial, pudessem participar – comenta Graciela Pozzobon, diretora do Assim Vivemos.

Esta edição online só foi possível porque a Cinema Falado Produções, organizadora do festival, foi contemplada no edital Lei Aldir Blanc. Realizado bienalmente desde 2003 – há 18 anos – no segundo semestre de 2021 está prevista a 10ª edição com produções inéditas. O evento será presencial nas cidades do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo

Para conferir a programação completa do Assim Vivemos, acesse: 

http://www.assimvivemos.com.br

FILMES PARTICIPANTES 

Belarus

Quem É O Último? – Who Is The Last One? (Belarus, 2018, 60 min.) Dir. Siarhei Isakov

O filme retrata um projeto teatral no qual crianças com e sem autismo atuam juntas no palco, mostrando como os professores trabalham e como conseguem unir crianças com diferentes necessidades emocionais, físicas e mentais. No filme, conhecemos quatro personagens, Kostya, Misha, Vlada e Maxim. Na tela, vemos crianças estudando e ensaiando com dedicação no teatro.

Brasil

Estrangeiros (Brasil, 2013, 20 min.) Dir. Sônia Machado Lima

A fala tem poder e se impõe como forma superior de comunicação, forçando pessoas surdas a aprenderem a repetir sons que não conseguem ouvir. É um esforço tremendo – e é desgastante. Até que, muitas vezes chega o momento em que o surdo descobre que foi inútil o tempo em que tentou aprender algo que simplesmente não lhe servia. O filme pretende mostrar um caminho de descoberta, dúvida, silêncio, alegria, aceitação, incompreensão e afirmação.

Mona (Brasil, 2019, 6 min.) Dir. Lucca Messer

Em 2017, Mona se torna a primeira mulher negra cadeirante a se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo, Brasil. Quebrando barreiras no mundo da dança, Mona também representa a superação de preconceitos cotidianos contra pessoas negras na maior cidade da América do Sul. Como bailarina e atriz, ela é hoje um símbolo nacional de resistência.

Stimados Autistas (Brasil, 2020, 55 min.) Dir. Cristiano de Oliveira

Adultos autistas diagnosticados tardiamente falam com outro autista sobre como foi crescer sem o diagnóstico, como foi a busca por profissionais e sobre as adaptações feitas após descobrirem que são autistas.

Canadá

Somos Todos Daniel – We Are Daniel (Canadá, 2009, 92 min.) Dir. Jesse Heffring

No verão de 2007, estudantes da Escola Summit de Montreal com deficiências intelectuais, emocionais e comportamentais ensaiam uma complexa peça de teatro musical. A peça conta a jornada de um estudante com autismo que chega em uma nova escola. O documentário acompanha os ensaios da peça, dando destaque a seis estudantes, seus pais e professores. Autismo, Asperger, Síndrome de Down, TORCH Syndrome, A.D.D., suas manifestações e consequências são reveladas. Essa jornada, em que às vezes a ficção se mistura com a realidade, revela a beleza desses jovens, suas habilidades e o fascinante efeito de sua honestidade.

Espanha

O Que Tem Debaixo do Seu Chapéu? – What’s Under Your Hat? (Espanha, 2006, 75 min.) Dir. Lola Barrera e Iñaki Peñafiel

Judith Scott é uma artista, uma escultora, que trabalha em um espaço pouco usual: o isolamento causado por sua deficiência. Ela nasceu com Síndrome de Down e não falava. Aos sete anos, foi considerada incapacitada. “Alto grau de retardo mental”: este foi o diagnóstico e a razão pela qual ela foi separada de sua família. Ninguém percebera que ela era surda até os seus 40 anos de idade. Passou a maior parte da vida esquecida, internada em instituições. Sua irmã gêmea, que não é portadora de deficiência, vai em busca da irmã e nos ajuda a remontar sua história. Judith agora é uma artista reconhecida. Seus trabalhos são exibidos em museus e galerias de todo o mundo e têm um alto valor de mercado. Uma arte que não tem nada a ver com a razão? Uma solitária, profunda e misteriosa expressão da alma: é isso que ela nos oferece.

França

A Largura e o Comprimento do Céu – The Length and Breadth of the Sky (França, 1998, 26 min.) Dir. Dominique Margot.

Jean-Claude Grenier nasceu em Orleans, França, com a condição conhecida como “ossos de vidro”. Por muitos anos, esteve envolvido em trabalhos sociais, até que foi descoberto por Geneiève de Kermabon e convidado para a versão teatral do clássico filme de Tod Browning, “Freak”. Grenier excursionou pela Europa com o ARCHAOS Circus, fez aulas de interpretação e aperfeiçoou suas habilidades dramáticas. Trabalhou com Joël Jouanneau, Karim Didri, Rollando Colla e Anne-Laure Rouxel, entre outros. O filme mostra Jean-Claude Grenier no trabalho e nas ruas, encontrando-se com a família e participando de uma festa com os amigos.

Soluções Promissoras – Hopeful Solutions (França, 2012, 52 min.) Dir. Romain Carciofo

O filme remonta a investigação de Romain Carciofo sobre o autismo. O diretor atravessa a França para responder uma questão: Como as pessoas com autismo e suas famílias são assistidas na França? Esse tocante documentário ilumina a situação alarmante das pessoas que sofrem de autismo e mostra como seus parentes estão lidando com esse transtorno.

Israel

Independente – Indie-capped (Israel, 2015, 33 min.) Dir. Ariela Alush

Eldar Yusopov nasceu no Uzbequistão há 27 anos, mas durante seu parto houve complicações e o médico perguntou a seu pai quem deveria viver – Eldar ou sua mãe. Rafael, o pai, decidiu que sua mulher, Mira, deveria viver, e Eldar nasceu morto. Mas, contra todas as previsões médicas ele reviveu, com paralisia cerebral, e, desde então, faz de tudo para se posicionar e fazer-se ouvir. Ele não consegue falar nem segurar uma caneca, mas escreve roteiros de filmes com apenas um dedo e interpreta o personagem principal como se fosse o Brad Pitt. Mas seus pais não permitem que viva sozinho e na sua busca por independência ele tem que provar – para si mesmo e para sua família -, que ele pode ser um cara normal como todos a sua volta. Essa é uma história sobre perseverança e autoestima, e sobre um grande desejo de falar de amor, mesmo não conseguindo se mover ou mesmo falar.

Mianmar

Uma Menina em 10 x 10 – A Girls in 10 x 10 (Myanmar, 2017, 29 min.) Dir. Mai May Sakarwah, Mary, Yu Par Mo Mo

Ngu Wah Hlaing foi abandonada por sua mãe quando era um bebê por causa de sua deficiência. Uma monja e seu filho, que é transgênero, a adotaram e a amam. Atualmente, Ngu Wah Hlaing tem 11 anos de idade, mas não sabe ler e escrever porque é recusada pelas escolas devido à sua deficiência.

Rússia

Ver e Crer – Seeing is Believing (Rússia, 2007, 13 min.) Dir. Tofik Shakhverdiev

Sergey tem 22 anos. É cego desde os oito. Está no terceiro ano da universidade, onde estuda computação. É muito independente e adora praticar esportes – futebol e judô. Sergey aprendeu a perceber a trajetória da bola através da audição. Desenvolveu esta capacidade jogando “golbol”, jogo semelhante ao futebol, jogado por pessoas com deficiência visual parcial ou total. O filme mostra um pouco da sua vida, de seus amigos, hobbies, estudos e esportes favoritos.

Tailândia

Dentro de Mim – Inside of Me (Tailândia, 2015, 22 min.) Dir. Sophon Shimjinda

Cherry é uma mulher transgênero com deficiência. Ela deseja o amor de um homem, embora possa comprar satisfação física em um bar. Mas o que ela mais anseia é o amor de sua mãe e de seu pai.

OS DEBATES:

Arte e Diversidade – 

Lucio Piantino tem 25 anos, é artista plástico, ator e dançarino. Tem 13 anos de carreira como pintor, tendo feito exposições no Brasil e na Itália e 8 anos de carreira como ator. No momento, ensaia sua peça solo “Somos como somos e não cromossomos”.

Moira Braga é atriz, bailarina contemporânea, performer, consultora de audiodescrição em conteúdos artísticos, professora na Faculdade Angel Viana e mestranda em dança na Universidade Federal da Bahia. Apresenta performances online, além de participar de vários eventos como artista e debatedora dos temas arte e acessibilidade.

Vida amorosa e autonomia 

Mona Rikumbi (Filha do sol) é a primeira mulher negra e cadeirante a atuar no Theatro Municipal de São Paulo. Possui dois minidocumentários, ambos direção de Lucca Messer. Recebeu o Selo de Inspiradora do Dia Mundial da Criatividade. Faz a criação e produção de performances, cursos e oficinas apresentadas de forma virtual, utilizando os saberes africanos.

Victor Di Marco, diretor de “O que pode um corpo?”  é formado em Produção Audiovisual, é ator, diretor e roteirista. Seu último trabalho, “O que Pode um Corpo?” segue fazendo carreira nos principais festivais de cinema do Brasil – com mais de 20 prêmios. Atualmente trabalha no desenvolvimento de seu longa-metragem, “Nós a Sós”. Junto a isso começou a trabalhar nas redes sociais produzindo conteúdos sobre capacitismo.

Escola e Vida Independente 

Lucília Machado é Mestra em Diversidade e Inclusão, jornalista, pessoa com deficiência, graduada em Comunicação Social e Presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão – UFF Acessível. Diretora da Acessar, Comunicação, Diversidade e Inclusão e titular do Podcast “Acessando Lucília”, consultora e palestrante. 

Rosângela Berman Bieler é Jornalista, Conselheira Global em Infância e Deficiência da UNICEF e chefe da Seção de Deficiência em Nova York. Tetraplégica desde os 18 anos de idade, tem se dedicado à defesa dos direitos das PcD por mais de 40 anos. Trabalhou como consultora para o Banco Mundial, BID e outras organizações. Fundou o Instituto Interamericano sobre Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo, que desempenhou papel fundamental na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Autismo e Neurodiversidade 

Cristiano de Oliveira, diretor de Stimados Autistas, é fonoaudiólogo formado pela Universidade Federal de São Paulo, pós-graduado em audiologia clínica pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Recebeu o diagnóstico de autismo aos 34 anos, sua idade atual. Devido à importância que o diagnóstico teve e por ter um apreço especial pelo gênero documentário, fez o filme que aborda esse tema.

Laís Silveira Costa é cofundadora do AcolheDown, membro do Inclusive e do Comitê Fiocruz pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência; Doutora em saúde pública pela ENSP-Fiocruz, onde hoje atua como docente e pesquisadora. Em sua trajetória, relaciona os processos de mudanças na saúde com a necessidade de emancipação dos sujeitos e atuado no acolhimento de familiares de PcD. Organiza processos de discussões científicas, políticas e de engajamento público, com impacto na formação de conhecimento que traz à luz pessoas ignoradas historicamente.

Lara Pozzobon foi a mediadora dos debates – Ela é produtora de cinema, teatro e festivais. Fundadora do Festival Assim Vivemos, foi sua diretora e curadora nas primeiras oito edições. Em 2016, concebeu e produziu a peça “Paradinha Cerebral”; lançou seu primeiro livro de poesia “Uso Interno”, pela Editora 7Letras, e seu segundo longa-metragem como produtora, “Mulheres no Poder”. Em 2017, assumiu a presidência da recém-criada Associação Brasileira de Audiodescrição. Em 2020, terminou um Mestrado em Educação na Universidade de New Hampshire, EUA. Atualmente, está criando conteúdos educacionais para a Uninter USA. 

Sobre o Festival Assim Vivemos 

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, conta com o patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil. Evento bienal, promove a reflexão sobre temas como preconceito, invisibilidade social, mobilidade, afeto, superação, autonomia, inclusão e acessibilidade, trazendo para o Brasil o melhor da produção audiovisual mundial sobre o assunto. 

Entre suas produções estão curtas, médias e longas metragens de diferentes nacionalidades que formam um mosaico diverso, abrangente e rico sobre as questões que envolvem as pessoas deficientes e consequentemente toda a sociedade. Em todas as sessões são disponibilizados recursos de acessibilidade como a audiodescrição e legendas LSE (para surdos e ensurdecidos) e interpretação de LIBRAS.

O Assim Vivemos já se consolidou como um importante espaço de reflexão já que também promove debates e oficinas sobre temas levantados pelos filmes, onde pessoas com deficiência e profissionais de referência com e sem deficiência se encontram. Com curadoria delicada e cuidadosa, que busca dar o espaço de fala e o protagonismo para as pessoas com deficiência contarem suas histórias, o Festival Assim Vivemos se revela uma experiência que encanta e transforma todos os públicos. 

Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre DeficiênciaEdição online a gratuita através do site www.assimvivemos.com.br

maxwelladmin

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